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NÍGRIS - A GATA FANTASMA |
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CONTATO: orion@sapico.christiangump.net
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Sapicó e Passarico tornaram-se quase inseparáveis (ver Sorte - Com Vai a Sua?). Ei-los passeando pelas ruas de Oriona. De repente, Passarico pousa numa árvore e resolve ficar por ali. - Que aconteceu? - Adiante, não posso ir. Passarico fica por ali, a descansar, enquanto Sapicó, prosseguindo, passa por um casarão abandonado. Vê Nígris no muro. - Oi, gatinha. Ela, meio desconfiada: - Búú... Sapicó fala novamente, e ela: "Búú", tentando assustá-lo. Fica com as patas erguidas, achando-se aterradora: "Búú"... Mas Sapicó não se assusta com aquele bichinho que lhe parece tão simpático. - O que você está fazendo aqui, gatinha bonita? - Vá embora! - Por que você está zangada? Nígris faz um bico, pensando. Depois, indaga: - Você entende minha língua? - Claro, eu entendo a língua de todos os animais. - Mas, você não é uma pessoa? - É... mais ou menos... sou um pouco sapo também... - Então você deve ser bom. - Bem... - balbucia Sapicó, meio envergonhado. Nígris questiona: - Você não se assustou comigo? - Ué, por que iria me assustar? - Não vê que sou gata fantasma? - Há, há, há, há - Sapicó rindo, com as mãos na barriga. De repente, seus olhos pousam no casarão escuro, com suas teias de aranha e vidros quebrados, então pára de rir. - Quer ver? - dizendo isto, Nígris desaparece e as janelas batem. Sapicó dá um pulo. Suas pernas tremem. Nisto, ela reaparece, provocando: - Você está com medo... - Medo, eu? - disfarça Sapicó, invadido por gotinhas de suor. - Suas pernas tremem como vara verde. Passado o susto, ele pergunta: - Mas por que você vive aqui? Há lugares melhores do que este. - É que eu vivi toda a minha vida aqui, e como foi aqui que sofri, é aqui que vou me vingar. - Vingar-se de quem? - De todos os humanos, são todos iguais. - Não - retruca Sapicó - não é bem assim. - As pessoas me maltrataram até eu morrer, então prometi a mim mesma que iria me vingar. E aqui fico, assustando todos os que se aproximam. - Mas eu quero ser seu amigo. Eu adoro os animais e nunca os maltrato. - Você vai ser meu amigo... Mas as pessoas vão ter que me pagar. Assim dizendo, Nígris desaparece e ouve-se um miado assustador. |