NÍGRIS - A GATA FANTASMA

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Sapicó e Passarico tornaram-se quase inseparáveis (ver Sorte - Com Vai a Sua?).

 Ei-los passeando pelas ruas de Oriona.

 De repente, Passarico pousa numa árvore e resolve ficar por ali.

 - Que aconteceu?

 - Adiante, não posso ir.

 Passarico fica por ali, a descansar, enquanto Sapicó, prosseguindo, passa por um casarão abandonado.

 Vê Nígris no muro.

 - Oi, gatinha.

 Ela, meio desconfiada:

 - Búú...

 Sapicó fala novamente, e ela: "Búú", tentando assustá-lo. Fica com as patas erguidas, achando-se aterradora: "Búú"...

 Mas Sapicó não se assusta com aquele bichinho que lhe parece tão simpático.

 - O que você está fazendo aqui, gatinha bonita?

 - Vá embora!

 - Por que você está zangada?

 Nígris faz um bico, pensando. Depois, indaga:

 - Você entende minha língua?

 - Claro, eu entendo a língua de todos os animais.

 - Mas, você não é uma pessoa?

 - É... mais ou menos... sou um pouco sapo também...

 - Então você deve ser bom.

 - Bem... - balbucia Sapicó, meio envergonhado.

 Nígris questiona:

 - Você não se assustou comigo?

 - Ué, por que iria me assustar?

 - Não vê que sou gata fantasma?

 - Há, há, há, há - Sapicó rindo, com as mãos na barriga.

 De repente, seus olhos pousam no casarão escuro, com suas teias de aranha e vidros quebrados, então pára de rir.

 - Quer ver? - dizendo isto, Nígris desaparece e as janelas batem.

 Sapicó dá um pulo. Suas pernas tremem.

 Nisto, ela reaparece, provocando:

 - Você está com medo...

 - Medo, eu? - disfarça Sapicó, invadido por gotinhas de suor.

 - Suas pernas tremem como vara verde.

 Passado o susto, ele pergunta:

 - Mas por que você vive aqui? Há lugares melhores do que este.

 - É que eu vivi toda a minha vida aqui, e como foi aqui que sofri, é aqui que vou me vingar.

 - Vingar-se de quem?

 - De todos os humanos, são todos iguais.

 - Não - retruca Sapicó - não é bem assim.

 - As pessoas me maltrataram até eu morrer, então prometi a mim mesma que iria me vingar. E aqui fico, assustando todos os que se aproximam.

 - Mas eu quero ser seu amigo. Eu adoro os animais e nunca os maltrato.

 - Você vai ser meu amigo... Mas as pessoas vão ter que me pagar.

 Assim dizendo, Nígris desaparece e ouve-se um miado assustador.

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